“Se o governo ganhar, vou propor um pacto; se perder, sou carta fora do baralho”, diz Dilma

13 de abril de 2016 • 20h04Geral • 228 Visualizações • Nenhum comentário em “Se o governo ganhar, vou propor um pacto; se perder, sou carta fora do baralho”, diz Dilma


Presidente recebeu jornalistas no Palácio do Planalto nesta quarta


Dilma pretende negociar até com oposição se evitar impeachment

Foto: Roberto Stuckert Filho / PR / CP


Em conversa com um grupo de jornalistas nesta quarta-feira, no Palácio
do Planalto, a presidente Dilma Rousseff disse estar confiante em uma
vitória na Câmara contra o pedido de abertura de processo de
impeachment. Caso isso aconteça, Dilma vai propor um amplo pacto
nacional com todas forças políticas, inclusive da oposição. Indagada se
participaria de um pacto no caso de derrota, Dilma respondeu: “Se eu
perder sou carta fora do baralho”.

A presidente não deixou
claro se a proposta de repactuação será apresentada após a votação do
impeachment na Câmara ou no Senado. “Digo qual é o meu primeiro ato pós
votação na Câmara. A proposta de um pacto, de uma nova repactuação entre
todas as forças políticas, sem vencidos e sem vencedores. Seja pós
Câmara, mas também pós-Senado, sobretudo. No pós senado é que isso será
mais efetivo”, disse ela.

De acordo com Dilma, a proposta de repactuação vai se estender a oposição. “A oposição existe”, declarou.

Às
vésperas da votação que vai selar seu destino político, Dilma recebeu
os jornalistas para uma conversa em seu gabinete que se estendeu por
mais de duas horas no final da manhã e início da tarde na qual falou
sobre suas expectativas para os próximos dias.

Aparentando
tranquilidade e em vários momentos bom humor, Dilma se mostrou confiante
no resultado da votação, a despeito das notícias negativas dos últimos
dias como a decisão do PP de desembarcar do governo.

Dilma
disse que vai lutar até o fim pelo seu mandato em todas as instâncias
possíveis e descartou fazer como o ex-presidente Fernando Collor, que
renunciou depois de ser derrotadona Câmara, em 1992. “O governo vai
lutar até o último minuto do último tempo por uma coisa que acreditamos
que seja factível que é ganhar contra esta tentativa de golpe que estão
tentando colocar contra nós através de um relatório que é uma fraude”,
afirmou.

Ela comparou o momento a uma guerra psicológica na
qual os dois lados tentam usar os números a seu favor para influenciar
os indecisos. “Nós agora nessa reta final estamos sofrendo e vamos
sofrer uma guerra psicológica que tem um objetivo que é construir uma
situação de efeito dominó”, disse ela.

Dilma minimizou a
saída do PP do governo. “É muito difícil neste momento você dizer que um
partido desembarcou do governo. Tem situações as mais variadas. Os
partidos saem do governo e as pessoas ficam”, disse ela, que não
descartou a possibilidade de recorrer ao Judiciário em caso de derrota
no Congresso. Ela citou supostas falhas no rito do impeachment em
relação ao direito de defesa como possível argumento para a
judicialização do caso.

“Não garanto ainda o que nós vamos
fazer porque não tenho a avaliação completa do jurídico do governo. Não
sabemos se vamos. E se formos, quando”, disse ela.

Ao final
da conversa Dilma foi perguntada sobre o cenário em caso de derrota e
também sobre seus planos para o futuro se conseguir terminar o mandato.
“Vou embora para a minha casa em Porto Alegre. Tenho direito à
aposentadoria”, afirmou. 

ESTADÃO



Fonte: http://clauderio.blogspot.com/2016/04/se-o-governo-ganhar-vou-propor-um-pacto.html

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