Fóssil de réptil anterior aos dinossauros é descoberto no Brasil

12 de março de 2016 • 0h03Geral • 157 Visualizações • Nenhum comentário em Fóssil de réptil anterior aos dinossauros é descoberto no Brasil


Foto:
Reconstrução de Voltaire Neto / Reprodução

Uma
descoberta paleontológica importante ocorrida no Brasil foi divulgada
na edição desta sexta-feira da revista Scientific Reports, do grupo
Nature.

O artigo descreve pela primeira vez na ciência o crânio
de um Teyujagua paradoxa, nome indígena que significa réptil ou lagarto
feroz, encontrado nos arredores da cidade de São Francisco de Assis, no
Rio Grande do Sul, durante uma saída de campo do professor Felipe
Pinheiro com alunos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Estima-se
que o animal tenha vivido há 250 milhões de anos, período anterior ao
do surgimento dos dinossauros. O trabalho, que permite o avanço dos
estudos em uma área ainda desconhecida do desenvolvimento das espécies,
também é assinado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Vale do São Francisco
(Univasf), em Petrolina (PE), e da Universidade de Birmingham, na
Inglaterra. 

– É uma descoberta que se faz uma vez na vida – vibra Pinheiro, 28 anos, paleontólogo cearense radicado no Estado há seis anos. 

Ao
avistar o crânio parcialmente encoberto no solo, no ano passado, o
professor se deu conta, de imediato, de que se tratava de um achado
importante. Encontram-se fósseis com frequência na área, mas em geral
estão quebrados e fragmentados. Com 11 centímetros da ponta do focinho
até a parte de trás do crânio, a peça estava inteira, em ótimo estado de
conservação – uma raridade. 

Segundo Pinheiro,
o Teyujagua foi um réptil pequeno, de comprimento entre um metro e um
metro e meio, quadrúpede, com narinas posicionadas no topo do focinho,
típico de animais aquáticos ou semiaquáticos. Pode ter vivido nas
margens de rios ou lagos, talvez comendo anfíbios. Nos dias de hoje,
seria semelhante a um lagarto ou a um jacaré. Animais parecidos,
aparentados com o Teyujagua, já foram localizados em outros países, o
que possibilitou que os pesquisadores deduzissem características sobre a
aparência e o comportamento do fóssil do pampa gaúcho. 

O réptil
habitou a Terra no período Triássico, “pouco” depois – 2 milhões
de anos, intervalo considerado irrelevante em paleontologia – de uma
extinção em massa que dizimou cerca de 90% de todos os seres vivos do
período Permiano. No planeta quase despovoado, o Teyujagua surgiu de
alguma forma de vida que sobreviveu à catástrofe e testemunhou a
recuperação da fauna. É justamente nesta fase pouco conhecida que o
conhecimento científico precisa avançar: o fóssil de São Francisco de
Assis é um ser intermediário entre os répteis primitivos e os
arcossauriformes, grupo que compreende dinossauros (que surgiriam 20
milhões de anos após o Teyujagua), pterossauros, jacarés e aves. 

– A origem dos arcossauriformes ainda era muito obscura. Agora o Teyujagua nos ajuda a entendê-la– explica Pinheiro. 

Marco
Brandalise de Andrade, professor da Faculdade de Biocências e curador
da coleção de fósseis do Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), saúda o feito dos
pesquisadores e a atenção da comunidade internacional despertada para o
Estado, já reconhecido pela riqueza de seu passado paleontológico.


Esse material é fabuloso em termos de história evolutiva e demonstra a
riqueza que existe na nossa diversidade de espécies fósseis –  avalia
Andrade. –Sem mesmo um esforço enorme, encontramos coisas. Imagina se
pudéssemos focar com mais dinheiro, mais profissionais, mais estudantes,
maior frequência de coleta? Quantas coisas a gente não descobriria
nessa diversidade toda? – completa.

Diário Catarinense 



Fonte: http://clauderio.blogspot.com/2016/03/fossil-de-reptil-anterior-aos.html

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